terça-feira, 1 de dezembro de 2015

GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA E PERIFÉRICA


Guardo uns minutos da minha noite, para pensar sobre a vida...


Hoje, eu penso naqueles jovens- pobres, negros, periféricos- que foram sumariamente executados pela polícia... Pra mim, é impossível não pensar neles, porque eu sinto, sinto tanto por eles... Imagino a felicidade que é, receber o primeiro salário, (eu já senti isso)... A sociedade só nos trata como seres humanos, depois de nos transformar em meros trabalhadores (e talvez por isso, o fato de ter um emprego gera tanta felicidade), conseguir um emprego decente, quando a sociedade só te empurra para o mundo do crime, quando ela legitima essa desigualdade de direitos e oportunidades, quando ela te ver como um preto vagabundo e favelado, quando ela afirma, que se você não está na faculdade é porque não quer... Conseguir emprego? é motivo pra comemoração.

Entende o que significava gastar o primeiro salário? A felicidade exala...

Eu posso sentir esse prazer, eu senti. Sair de carro, acompanhado de amigos, pensando na felicidade que é poder usufruir de coisas que só o o dinheiro pode proporcionar. 


Sabe? Pensar grande, ter um futuro, ajudar a família, fazer uma faculdade, ser gente, porque eu nunca fui gente pra essa sociedade. Ser gente, é ser branco, é fazer faculdade, é ter um carro... ter uma casa ampla, arejada, é nunca ser abordado pela polícia, nunca levar baculejo, nunca e jamais ser confundido com um bandido... Pra sociedade o cidadão que se encaixa nesses moldes, é do bem, os outros... Ora, que outros? "Bandido bom é bandido morto". "Tudo bandido".

Quando aqueles policiais assassinos, pararam aquele carro, eles não queriam conversar, eles queriam aniquilar, matar, destruir. E quem se importa? 

E quem os vê? Invisibilizados, marginalizados, subalternizados, mortos... A sociedade os mata cotidianamente: na escola, na rua, nos postos de saúde, nas escassas oportunidades, na favela... Ora, ora e quem se importa com essa gente? Eles tem duas opções, cadeia e cemitério... Ninguém se importa. A sociedade produz a desgraça para alimentar-se. Ela fabrica a miséria, o desemprego, a discriminação, ela nos ensina a servir docilmente a exploração... Ela sobrevive das misérias que mesmo produz. O Estado é o gestor da guerra, pura e simplesmente.

Cláudia, Amarildo... lembra? quem se importa? Quem tá preso? O que mudou?

Sonhos interrompidos, sorrisos partidos, corações tristes, frios... sem alma, sem justiça... Mas o que é a justiça? A justiça é atraída pela cor, pelo cheiro de dinheiro, pelo quanto você é importante... . Quem se importa?

Genocídio da juventude negra e pobre, polícia licenciada e institucionalizada para matar. Sabe na favela? a polícia não mata, é meramente auto de resistência.

Quem se importa? Quem se impoooooooooooooooooorta?

Eu não sou da paz.



Roberto de Souza, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva Souza, 16, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Wesley Castro, 20, e Wilton Esteves Domingos Junior, 20. Vítimas de mais uma chacina policial.

Jú Ferreira

sexta-feira, 3 de julho de 2015

SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

É muita imbecilidade achar que um adolescente de 16 anos pensa como um adulto. Porque ninguém lembra de si, aos 16 anos?
É muito fácil punir quem não tem educação e saúde de qualidade, que sequer tem uma moradia decente, acesso a bens culturais e/ou vivem com 80 reais mensais. Afinal, quem será por eles/as?
Vocês acham mesmo que algum adolescente com dinheiro será preso? A quem esse projeto de encarceramento serve? Qual grupo será punido?
Vocês querem encarcerar, porque vocês se acham superiores a esses/as adolescentes, acham que em todas as situações elas tem opção de "vencer na vida".
Ninguém protesta ou fica indignado ao saber que o Estado nunca cumpre o estatuto da criança e do adolescente?
Seus discursos não me convence! Vão refletir sobre o que isso representa para o nosso país, antes de falar merda!
Passam o dia assistindo a globo, e acha que tem conteúdo! Usem o google acadêmico e pesquiseeem, ou melhor, passem um dia em uma escola da periferia.

Você não pensa na criança negra da periferia, você só pensa na sua segurança e no seu conforto.
Você não sabe o que é ouvir de uma criança de 5 anos que o sonho dela, é ter uma casa cheia de comida!
Você não sabe o que é olhar pra uma sala de aula, com o coração sangrando e pensar: qual futuro que essas crianças terão!? E torcer que a vida lhes seja doce...
Se você não trabalha com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, você não tem legitimidade pra achar nada.
Eu digo NÃO a redução da maioridade penal.
Não pelos meus filhos, mas pelas crianças e adolescentes com as quais trabalho.



terça-feira, 9 de junho de 2015


ALGUMAS REFLEXÕES



As pessoas falando em cristofobia, é muito surreal...
Só posso pensar, que é muito desconhecimento. Vejo que, grande parte dos cristãos é que acham que ateus, ateias LGBTs (...), são a encarnação do demônio (no mínimo). A forma que encaram as pessoas, achando que todxs devem se encaixar dentro de uma religião cristã, é que é questionada pela sociedade, além do fato de analisarem a vida das pessoas a partir de uma bíblia. Mas, aqui no Brasil, não conheço ninguém que morreu, ou foi proibido de entrar em algum lugar, por ser cristão. Até a escola que deveria ser laica, vocês desrespeitam, impondo ao mundo o deus de vcs! Agora, quantos foram mortos em nome desse deus e dessa bíblia?

É por essa e tantas outras, que detesto religião!
Sinceramente? Eu jamais me entregarei a uma religião, que acha que o mundo deve ser catequizado e uniformizado, que desrespeita a diversidade religiosa, ou a falta de uma religião.
O deus, que vocês pintam, eu quero beeem longe da minha vida, e vocês, fundamentalistas, igualmente.

Afirmo que, analisando o discurso de algumas pessoas que acreditam piamente que vão pro céu, re-invento o meu: eu não quero ir pro céu, pq eu não suportaria estar ao lado de gente tão egoísta, hipócrita e desumana.