Precisando, estou por aqui...
Um dia desses aconteceu
algo comigo que me fez refletir a frase “se precisar de mim, pode contar” ou “precisando
estou por aqui”. Me fez pensar... Primeiro, porque é uma frase que eu costuma(va?) utilizar quando sei que alguém está passando por algo difícil, e segundo porque
passei por uma situação e ouvi isso de muitas pessoas... Não se trata de julgamentos, uma vez que todas/os, (inclusive eu) já fizemos isso.
O fato é que, quando
dizemos isso, há uma intenção em ajudar, sem dúvida, mas há também outras coisas
envolvidas. Nas entrelinhas, é como se disséssemos, “olha eu estou aqui, tenho
minha própria vida, mas caso precise, precise muito...”Na verdade, a disposição
em ajudar é bem pequena, tão pequena... E no fundo estamos torcendo para que a
pessoa não diga que precisa de nós, (mesmo sabendo que ela está precisando). Tudo
isso para da nossa bolha confortável, afinal já temos os nossos próprios problemas...
Na sociedade em que vivemos, nosso tempo é escasso, o pouco tempo que temos é usado
-apressadamente- pra resolver nossas demandas e ainda assim fica sempre uma
parte pra depois. Não justifica, claro. Há também uma certa dose de egoísmo,
misturado com aquela vontade de não saber de tantos problemas. São tantos problemas,
tanta coisa a fazer, tanto a pensar, que acabamos por nos (in)disponibilizar
totalmente, mas apenas por meio de uma frase vazia.
É preciso pensar, pois...
O quanto de verdade, tem
nessa frase? Ou, o quê de verdadeiro tem nela? E é preciso encararmos de frente
a nossa (in)disposição em ajudar, ou seja, é preciso que pensemos: por que eu
digo que quero ajudar quando na verdade, eu quero mesmo é ficar no meu canto? É
evidente que queremos que a pessoa saiba que nos preocupamos com ela, mas não é
uma preocupação tão grande a ponto de nos fazer sair de nós mesmos. Também
queremos demonstrar empatia, ainda que saibamos que a empatia em certa medida,
é seletiva. E queremos tudo isso, para dar a impressão que estamos cumprindo
nosso papel de ser humano humanizado, porque isso nos faz sentir bem- mas não
alegre- pois no fundo nós sabemos que estamos sendo pouco verdadeiros com a
outra pessoa, mas principalmente não estamos sendo verdadeiros com nós mesmos,
o que é frustrante e triste.
Parafraseando alguém (que amo), e não lembro agora, eu quero fazer de tudo “para
não envergonhar a criança que eu fui”.
(re)nascendo.